A Reforma não é sobre tributos. É sobre estratégia econômica.

Representação conceitual de tecnologia e análise de dados aplicada à estratégia de negócios e reforma tributária.

Na última edição da Jornada CFO Evolution , reunimos mais de 300 lideranças para um debate estratégico sobre a Reforma Tributária. O evento contou com a participação de Maria Carolina Gontijo , advogada tributarista e uma das vozes mais influentes do setor no país, que contribuiu com uma análise técnica sobre as transformações estruturais para o ambiente de negócios brasileiro.

A principal tese defendida por Gontijo desconstrói um equívoco recorrente: o de interpretar a reforma como um projeto de compliance ou uma demanda isolada da contabilidade.

“A reforma tributária não é uma tarefa para ser delegada apenas ao setor contábil. Ela impacta o cerne da operação: fluxo de caixa , precificação e cadeia de fornecedores. É, acima de tudo, uma decisão estratégica”, apontou a especialista.

A transição não altera apenas alíquotas; ela redefine a lógica de geração de receita, a seleção de parceiros de negócio e o planejamento de investimentos. Trata-se de uma mudança sistêmica nos fatores geradores migrando dos eventos fiscais para os movimentos financeiros. Uma mudança que altera a base sobre a qual as empresas operam.

Os impactos estruturais no dia a dia organizacional

Com base no debate promovido pela Jornada CFO Evolution, estruturamos os impactos da reforma em 6 pilares críticos para a continuidade dos negócios:

1. Fluxo de caixa sob uma nova dinâmica de liquidez

split payment , onde a parcela tributária é retida automaticamente em cada transação, exige uma nova realidade de liquidez. O planejamento de caixa agora demanda um mapeamento rigoroso e antecipado para evitar rupturas financeiras a partir de 2027.

2. Reconfiguração da cadeia de suprimentos

Uma nova lógica de crédito, proporcional ao imposto efetivamente recolhido ao longo da cadeia de valor, torna a seleção de fornecedores um desafio analítico complexo. A escolha entre parceiros do Simples Nacional ou do Lucro Real passará a ter implicações diretas na rentabilidade, exigindo novas métricas de avaliação por parte das áreas de suprimentos.

3. Receita Líquida como indicador de desempenho

O modelo mental focado na receita bruta, comum em diversas estruturas brasileiras, torna-se obsoleto. A reforma consolida a receita líquida como a métrica central. Organizações que não atualizam seus modelos analíticos e orçamentários baseiam suas decisões em indicadores que não refletem mais a realidade econômica.

4. Inversão do papel de custódia frente ao Fisco

Talvez a mudança mais profunda seja a inversão da responsabilidade financeira. Historicamente, as empresas apuravam e recolhiam seus tributos. Com o split payment , a Receita retém o valor calculado e a empresa recebe o saldo. Essa mudança exige uma governança interna dedicada às auditorias e conciliação em tempo real para garantir a integridade dos recursos retidos.

5. Gestão da transição: navegando entre dois sistemas

Como destacado por Maria Carolina, o Brasil passará por um período de convivência híbrida entre os sistemas atuais e o novo até 2033. Não há um “desligamento” imediato, mas uma transição que exigirá resiliência e adaptação constante.

As organizações que antecipam esse processo por meio de diagnósticos de impacto e modernização de sistemas consolidarão uma vantagem competitiva sustentável, operando com estabilidade enquanto o mercado ainda reage às pressões imediatas.

6. Excelência técnica e soluções sob medida

A complexidade normativa da reforma tributária não suporta soluções genéricas. Estratégias eficazes devem ser projetadas sob a ótica da especificidade de cada modelo de negócio. Abordagens padronizadas ignoram nuances da cadeia de valor que podem comprometer severamente a margem operacional.

Para garantir a perenidade operacional, as companhias devem priorizar:

  • Mapeamento de impactos: diagnóstico específico sobre o modelo de negócio;
  • Gestão de Fornecedores: avaliar criteriosamente os contratos vigentes e a posição competitiva de cada parceiro dentro da nova proposta de crédito;
  • Revisão de pricing: ajuste de estruturas de preço e margem sob uma nova lógica;
  • Gestão de dados: atualização de sistemas de gestão para suportar o volume de informações do slipt payment;
  • Cultura proativa: evolução do tempo financeiro da conformidade reativa para a antecipação estratégica.

Conclusão: da antecipação à liderança de mercado

A conclusão do primeiro episódio da Jornada CFO Evolution de 2026, reiterou que a resiliência organizacional diante das mudanças tributárias não reside na cautela passiva, mas na prontidão estratégica. Conforme destacado por Maria Carolina Gontijo:

“Não tenham medo da reforma tributária, mas não a subestimem. A paralisia é um risco, mas a subestimação é um custo. O caminho é: estratégia e antecipação.”

Enquanto parte das definições do mercado aguarda tardiamente, as organizações que iniciam o planejamento hoje estabelecem as bases de sua competitividade futura. A Moore oferece suporte especializado por meio de diagnósticos estruturados e planos de ação desenhados sob medida para a realidade do seu negócio.

Antecipe-se à curva de mudança e garanta a perenidade de sua operação!

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Lydianne Rodrigues

Lydianne é analista de marketing da Moore em Belo Horizonte