Impactos da LC 224/2025 no PIS e COFINS: efeitos práticos na apuração e na EFD-Contribuições

Conheça os efeitos práticos da redução dos benefícios na apuração do PIS e da COFINS; e na escrituração da EFD-Contribuições

A partir do dia 1º de abril de 2026, a LC 224/2025 (Lei Complementar nº 224, de 26 de dezembro de 2025), impõe determinados efeitos na apuração do PIS/Pasep e da COFINS, com o objetivo de reduzir linearmente alguns benefícios fiscais em 10%.

 

Operações afetadas

Dentre as operações que serão afetadas pela redução dos benefícios no âmbito das contribuições em comento, destacamos:

– Produtos beneficiados com a redução a 0 (zero) das alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, inclusive na importação, prevista no art. 1º da Lei 10.925/2004, com enfoque para:

  • Adubos ou fertilizantes;
  • defensivos agropecuários;
  • sementes e mudas;
  • corretivos de solo;
  • inoculantes agrícolas;
  • trigo;
  • óleos vegetais;
  • pintos de 1 (um) dia; e
  • sabões de toucador e produtos de higiene.

Destaca-se que os produtos que compõem a Cesta Básica Nacional de Alimentos, constantes dos Anexos I e XV da Lei Complementar nº 214/2025 (reforma tributária), não serão afetados pela redução; e

– Operações beneficiadas com crédito presumido das mesmas contribuições, inclusive na importação, destacando-se:

  • fabricação de alimentação humana ou animal (Lei 10.925/2004);
  • fabricação de produtos farmacêuticos (Lei 10.147/2000);
  • fabricação de carnes, miudezas, gordura animal etc. – inclusive exportação (Leis 12.058/2009 e 12.350/2010);
  • exportação de café (Lei 12.599/2012);
  • fabricação de suco de laranja para exportação (Lei 12.794/2013); e
  • venda no mercado interno e exportação de óleos, soja e determinados derivados (Lei 12.865/2013); e
  • prestação de serviços de transporte rodoviário.
Formato de redução dos benefícios

Quando a redução tiver impacto nas operações de saída (vendas), como no caso dos produtos beneficiados com alíquota 0 (zero), a redução do benefício será implementada mediante aplicação de 10% (dez por cento) das alíquotas básicas dos regimes de apuração cumulativo e não cumulativo do PIS/Pasep e da COFINS:

 

regime até março/2026 a partir de abril/2026
cumulativo 0,00% 0,365%
não cumulativo 0,00% 0,925%

 

Como adendo, importa ressaltar que, embora ocorra a redução dos benefícios, a LC 224/2025 não altera a natureza da receita nem o tratamento do benefício, limitando apenas o seu aproveitamento financeiro. Assim, a receita continua sendo considerada como não tributada, inclusive para fins de rateio.

Aliás, esse entendimento foi pacificado pela própria Receita Federal (Perguntas e Respostas – versão 2, questão nº 34), ao dispor que tais créditos , no exemplo estipulado, permanecem vinculados a vendas com alíquota zero e, portanto, continuam passíveis de ressarcimento ou compensação.

Por outro lado, quando o benefício a ser reduzido se tratar de crédito presumido, a redução será implementada mediante limitação do crédito a 90% (noventa por cento) do valor original do crédito.

 

Escrituração das reduções na EFD-Contribuições

De plano, cumpre esclarecer que, até o momento, a Receita Federal não se manifestou oficialmente acerca da forma de aplicação da redução linear dos benefícios na Escrituração Fiscal Digital das Contribuições (EFD-Contribuições).

Não obstante, os contribuintes já podem se preparar para refletir tais efeitos na escrituração.

Conforme exposto, a LC 224/2025 não altera a natureza da receita, apenas limita o benefício. Assim, por exemplo, uma receita atualmente sujeita à alíquota 0% continuará sendo considerada como não tributada, devendo a carga tributária correspondente a 10% das alíquotas básicas ser aplicada por meio de ajuste.

Nesse contexto, na prática da EFD-Contribuições, especialmente nas operações de saída não se deve alterar o CST dos itens, por ex.: produtos com alíquota 0% continuam sendo escriturados com CST 06.

Todavia, para refletir a redução do benefício prevista na LC 224/2025, o contribuinte deverá realizar ajustes na EFD-Contribuições.

Esse ajuste, contudo, poderá variar conforme:

  • a natureza da pessoa jurídica; e
  • as particularidades operacionais (especialmente no caso de cooperativas, que utilizam a exclusão do ato cooperativo).

Dessa forma, ainda não é possível padronizar integralmente a forma de lançamento. Sendo assim, enquanto a RFB não se pronuncia oficialmente em face dos efeitos práticos da Lei Complementar, nossa equipe está à disposição para orientar e personalizar a forma mais condizente de escrituração na EFD-Contribuições.

Vale lembrar, uma vez mais, que a redução dos benefícios não afeta o rateio de créditos comuns, realizado por meio do registro “0111”, cujo preenchimento deve permanecer inalterado.

 

Outros pontos de atenção

Deve ser observado o impacto financeiro para adquirentes, uma vez que,
embora determinadas operações sejam reoneradas (ex.: 0,925%), não há direito ao aproveitamento de crédito, o que pode gerar aumento de custo. Esse tópico, inclusive, é passível de discussão no contencioso.

No mesmo sentido, nas aquisições de produtos importados, a carga tributária tende a ser superior, considerando: a incidência de PIS/COFINS-Importação (aprox. 1,175%), além da tributação na venda subsequente (0,925%).

As cooperativas devem redobrar a atenção na aplicação das reduções, considerando a interação com a exclusão do ato cooperativo na escrituração.

Por fim, ressalta-se que, embora o enfoque do presente material seja o PIS/Pasep e a COFINS, as pessoas jurídicas devem se atentar para possíveis impactos também em outros tributos, tais como: IRPJ e CSLL; Imposto de Importação (II) e IPI; e contribuições previdenciárias (inclusive FUNRURAL).

 

Atualização constante e suporte personalizado

A aplicação prática da LC 224/2025 impõe desafios relevantes às pessoas jurídicas, sendo recomendável acompanhamento individualizado, especialmente no que se refere à escrituração da EFD-Contribuições.

Nossa equipe permanece à disposição para esclarecer dúvidas e auxiliar na definição e implementação dos ajustes necessários.

Bruno Pereira

Bruno é Gerente de Consultoria Tributária da Moore em Ribeirão Preto
bpereira@moorebrasil.com.br