Fornecedores e continuidade dos negócios

A pandemia global da Covid-19 e as políticas de isolamento social com fechamento de escolas, fábricas, lojas, entres outros, demonstram uma característica fundamental do nosso mundo que veio à tona fortemente nesse momento: tudo está conectado!

Fazer a gestão de fornecedores do negócio já era um tema muito estratégico dentro das empresas e ficou ainda mais evidenciado com a crise econômica. O papel dos fornecedores é determinante na continuidade e retomada dos negócios.

Fornecedores e a gestão da continuidade do negócio

Em qualquer plano de continuidade e retomada dos negócios, a garantia da cadeia de fornecimento é vital e inclui, tanto os setores afetados, quanto aqueles que tiveram aumento da demanda, como supermercados, drogarias, revenda e distribuição de gás de cozinha, por exemplo. Ter demanda e não conseguir atendê-la também gera implicações relevantes para um negócio.

Diante disso, ter uma visão estratégica sobre os fornecedores, categorizando-os com relação a sua importância para o negócio, é fundamental. Dentro dessa categorização é imprescindível avaliar o impacto sobre a retomada das operações, sobre os custos e sobre o fluxo de caixa da empresa, para definir a abordagem mais adequada para cada perfil.

Os fornecedores com impacto direto sobre a continuidade da operação devem ser acompanhados de perto, em ciclos curtos de interação, para monitorar a extensão da repercussão da crise sobre suas condições financeiras e de sua capacidade de continuar operando.

Para esses fornecedores críticos é fundamental acelerar o processo de desenvolvimento de alternativas de fornecimento, o que deve envolver não apenas o setor de compras e suprimentos, mas também os setores de engenharia, desenvolvimento de produtos, qualidade, produção, financeiro, entre outros.

Além de garantir o abastecimento de matérias-primas e insumos, os fornecedores são stakeholders críticos para preservação do caixa do negócio e contribuem para garantir a continuidade das operações. A renegociação de condições de pagamento, principalmente daqueles com maior peso em termos de necessidade de capital de giro, deve ser priorizada, pois o aumento dos prazos de pagamentos ou isenções temporárias são estratégias de sobrevivência que visam proteção do caixa imediato e viabilizam a quitação das outras obrigações de curto prazo do negócio.

O foco deve ser especialmente nos produtos e serviços com grande relevância na estrutura de custos. Antes de iniciar uma negociação, é importante estar amparado com o máximo de informações possíveis, tanto de mercado, quanto dos indicadores internos de fornecimento.

A negociação não deve se restringir à redução de somente custos unitários, mas pode incluir também mudanças de modelo de fornecimento e precificação, sempre focando na redução global do contrato.

Este artigo sobre como avaliar e qualificar os fornecedores também pode ser útil nesse processo, além desta planilha gratuita sobre como gerir fornecedores.

Quase todos os segmentos da economia apresentaram queda de demanda e agora, muitos já apresentam sinais de retomada. Nesse momento, é imprescindível planejar seus custos com seus fornecedores para garantir a sustentabilidade das suas operações e retomada do seu negócio no médio e longo prazos.

Por fim, estamos vivendo uma crise mundial sem precedentes e é fundamental ficar próximo dos seus fornecedores e ser transparente, estabelecendo assim uma via de mão dupla para a troca de informações.

Por meio de um relacionamento próximo e individualizado, a resolução de problemas em determinada situação torna-se mais fácil. Rotinas de análise dos novos cenários de demanda e da capacidade financeira das partes, geram novas possibilidades de negociação das condições contratuais, que por sua vez devem ser cada vez mais flexíveis.

O desejável é que os dois lados tenham interesse em manter o relacionamento, porque: tudo está conectado.

Gustavo Sobrinho

Gustavo Sobrinho

Diretor de consultoria especialista em finanças da Moore Belo Horizonte
gustavo@moorebrasil.com.br