A Moore deu início a 2026 esclarecendo pontos contundentes da reforma tributária para o mapa estratégico do agronegócio
No dia 21 de janeiro, realizamos a primeira Conferência Tributária focada no agronegócio, com uma tarde inteira dedicada à profundidade técnica de temas contundentes da Lei Complementar 214/2025.
“Nosso objetivo é ajudar as empresas do agro a avançarem nesse território inédito com a máxima tranquilidade possível, mesmo diante das controvérsias”, explica João Victor Araújo, embaixador da conferência. “Promovemos três painéis com especialistas de alto nível, reunidos para debaterem junto com empresários, executivos e gestores do setor, dúvidas que a própria legislação ainda não é capaz de responder”, conclui.
Foram quatro horas de discussão minuciosa, partindo dos pontos fundamentais da nova tributação sobre o consumo, passando por seus impactos na cadeia do agronegócio, até proporcionar uma visão qualificada do novo sistema tributário brasileiro. A redução de benefícios fiscais trazida pela Lei Complementar 224/2025 também foi abordada.
O contexto de como fazer negócio no agro vai mudar
No agronegócio, a aplicação do novo sistema tributário enfrenta desafios: cadeias produtivas longas, diferentes regimes de tributação, margens pressionadas, créditos acumulados, necessidade de aumento do fluxo de caixa entre outros. Independente disso, uma visão é fato: “o contexto de como fazer negócio no agro vai mudar”.
Para Bruno Cecatto, painelista na nossa Conferência Tributária, o setor pode ganhar com uma revisão das estratégias de logística, por exemplo, reduzindo pontos de faturamento com fato gerador no destino.
Além disso, ele explica que as estratégias de financiamento da própria cadeia produtiva precisam ser repensadas pelas empresas, diante do impacto que o split payment traz para o fluxo de caixa. O tributo deixa de transitar dentro da empresa, passando a ser recolhido automaticamente no ato do fato gerador”, lembra.
Por outro lado, foram colocados os efeitos positivos ao fato do split payment realizar a retenção dos valores na concomitância das operações, afastando uma pequena, mas importante parcela de empresas que se apropriam dos tributos que deveriam ser recolhidos, distorcendo preços e mercados.
Cenário pós-reforma: antes, dentro e depois da porteira
A painelista Lygia Carvalho abordou as preocupações centrais do cenário pós-reforma para os fornecedores de insumos; os fornecedores rurais pessoas físicas e jurídicas; e os adquirentes – propondo uma jornada de entendimento jurídico para antes, dentro e depois da porteira. Ela trouxe um olhar técnico para situações específicas e de difícil interpretação legal, como a questão do crédito presumido do produtor rural não contribuinte, para o qual ainda falta disposição.
Diferimento na cadeia de insumos agropecuários
Para o painelista João Victor Araújo, a aplicação do diferimento do CBS e do IBS ao setor agro é um dos pontos divergentes da nova legislação, não pelo fato da postergação desses tributos, mas na atenção redobrada nas hipóteses de encerramento desse diferimento.
Sob olhar sistêmico, a interpretação pura dos dispositivos da reforma tributária não é suficiente para formar um entendimento das particularidades das operações em curso. Destacam-se também os impactos positivos e negativos com o fim do ICMS, sobretudo para aqueles produtores que negociam insumos com a troca do atual imposto.
Ignorar a reforma significa “ignorar aquilo que pode inviabilizar o seu negócio”
Edgar Madruga, painelista na nossa conferência, recomenda a todos uma revisão do negócio diante da reforma tributária, porque “existe o risco de se ignorar fatores que podem até mesmo inviabilizar o próprio negócio”, alerta. Ele destacou a importância do planejamento tributário e estratégico para empresas de todos os setores da economia.
Demonstrando alguns exemplos de planejamento já com foco na reforma tributária, o painelista evidenciou a adaptação de alguns produtos e negócios às novas regras de cobrança, elidindo importantes aumentos fiscais que estão por vir.
O painelista Bruno Pereira enriqueceu essas proposituras, esclarecendo como ocorrerá a transição das tributações na indústria, no revendedor e no consumidor, segundo a linha do tempo prevista para aplicação da reforma, que vai de 2026 a 2033. Ele destacou também os impactos para o produtor rural e os benefícios para o setor agro, sobretudo ao setor industrial de alimentos, grãos e sucroalcooleiro.
De olho nas oportunidades: estudo contínuo e aprofundado
Segundo Marcelo Geraldelli, gerente de controladoria da Coopercitrus, a Conferência Tributária da Moore é extremamente importante para o agronegócio. “Faz com que nós nos encontremos para discutir interpretações relevantes nas várias cadeias produtivas. “O produtor rural, por exemplo, para colher as oportunidades da reforma, precisa ter uma estrutura mais robusta de contabilidade, capacitação dos seus colaboradores, departamento jurídico, tomada de créditos etc. Nós, enquanto gestores, precisamos continuar debruçados nos estudos e colher as oportunidades que a reforma nos trará”, conclui.
No decorrer de 2026, a Moore organizará novas conferências tributárias em diferentes regiões do país, para promover o estudo aprofundado em diversos setores da economia. Acompanhe nossas atualizações e fique por dentro das interpretações valiosas de nossos especialistas.