Setores e gestores financeiros mais estratégicos, atuando como business partner

No atual contexto de transformações exponenciais que estamos vivenciando, podemos observar que o papel dos setores nas empresas tem sofrido grandes mudanças e cada área passa a ser entendida como parte fundamental de um organismo completo.

Setores que eram considerados técnicos e especializados em determinada área de atuação, com pouco envolvimento com os demais setores da empresa, passam a se integrar aos demais departamentos, buscando gerar valor e participar ativamente das decisões estratégicas do negócio.

É neste cenário que surge o papel do business partner, que tem como principal objetivo atuar como um elo entre a atividade fim e as funções de apoio e suporte dentro da organização. Dessa forma ele precisa entender a estrutura e o processo operacional e, com base nos conceitos de sua área de gestão, atuar de forma estratégica no negócio, fazendo a diferença nas operações e por consequência na geração de valor para a organização.

Um dos setores que nos últimos anos vem transformando sua atuação para um modelo mais alinhado ao de business partner é o financeiro. Este departamento deixa de ser uma área orientada para análises exclusivamente financeiras com foco no passado e passa a se envolver cada vez mais nas áreas de negócio e seus drivers de criação de valor.

Mas como transformar o setor e os gestores financeiros em verdadeiros parceiros do negócio tornando-os mais influentes no processo de decisão estratégica?

O desafio para que o setor consiga se desenvolver nessa direção é grande e nesse artigo iremos trabalhar três pontos chave para tal:

  1. Geração de dados e informações alinhados à estratégia e aos mecanismos de criação de valor do negócio
  2. Construção de bons diagnósticos, apontando alternativas e recomendações mais estratégicas
  3. Desenvolvimento de habilidades de relacionamento e interação

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  1. Geração de dados e informações alinhados à estratégia e aos mecanismos de criação de valor do negócio

O primeiro ponto de foco dos gestores e do setor financeiro para conseguirem influenciar as decisões estratégicas do negócio está atrelado à capacidade do time de gerar dados e informações confiáveis e realmente estratégicas.

Durante os últimos anos, o contexto organizacional das empresas sofreu importantes transformações no âmbito tecnológico, principalmente na geração e acesso a dados. Com isso, as empresas tiveram que se adaptar e buscar novas formas de gerenciarem as suas informações e as do mercado, sempre focando em manter sua competitividade.

A partir do momento que o financeiro tem acesso aos dados da empresa e do mercado, ele passa a ter o desafio de estruturar uma análise com as informações que tem em mãos. Na prática, é possível observar que muitos gestores financeiros não dominam todo o volume e variedade dos dados gerados.

Pode-se observar também que é incomum encontrar na equipe financeira pessoas que tenham conhecimento em excel avançado, com domínio de macros e VBA (Visual Basic for Applications) por exemplo, ou colaboradores especializados em pesquisas em banco de dados relacional, como SQL (Structured Query Language). Somado a isso, atualmente ainda é um desafio identificar colaboradores na área financeira com prática em geração de relatórios e dashboards em plataformas de BI (business intelligence) para a realização de uma análise estruturada do negócio.

Além do desafio tecnológico de extração, transformação, armazenamento e geração de relatórios e dashboards, o bussines partner do setor financeiro precisa desempenhar o papel de criação e implementação de registros e controles transacionais que mitiguem riscos operacionais e de compliance, mas que também gerem informações valiosas para otimização de processo e ganhos de produtividade.

Podemos exemplificar esse papel no processo de otimização e melhoria de controles de recebimento de mercadorias através da implementação do conceito do Three-way matching, que visa realizar a conferência das mercadorias recebidas com a respectiva ordem de compra e   nota fiscal, para garantir que o pagamento possa ser feito pelo financeiro.

Esse controle implementado de forma manual pode se tornar extremamente burocrático e demandar muitas horas de trabalho das equipes, porém uma abordagem que considere a integração do ERP com ferramentas de gestão de digital de documentos fiscais pode levar a mais agilidade no fechamento fiscal, reduzir as inconformidades, os esforços administrativos e minimizar riscos.

 

  1. Construção de bons diagnósticos, apontando alternativas e recomendações mais estratégicas

O próximo ponto crucial para entrega de valor pelo área de finanças é constuir diagnósticos e recomendações que pautem as decisões das diversas áreas de negócio. No dia a dia é comum encontrar empresa cujas decisões cruciais são tomadas de acordo com o instinto dos fundadores ou profissionais de longa data do segmento, pela falta de confiança nos dados ou fragilidade dos  diagnósticos e recomendações.

A área financeira sempre atuou como  a guardiã dos ativos da empresa, às vezes se limitando a recomendar metas lineares de reduções de custos ou controle rígido do orçamento. Em uma era  onde os dados são tratados como o “novo petróleo”, estes precisam ser utilizados como ativos valiosos que são, sendo fontes para geração de insights para aumento de receita, ganhos de produtividade, melhoria das margens e mitigação de riscos.

O setor, a partir dos dados financeiros e contábeis, deve apoiar as demais áreas  de negócio como vendas, marketing, operação, logística, na identificação das relações de causa e efeito entre as principais variáveis do negócio, conduzindo investigações  conjuntas para identificação  da causa raiz dos desvios,  com o objetivo de gerar valor para a organização.

No processo de precificação, por exemplo, o setor financeiro deve ser capaz de estruturar análises de custo-volume-lucro a partir dos registros contábeis e financeiros, interagirando com setores como marketing e vendas, de forma a gerar alternativas para apoiar os gestores para a melhor tomada de decisão, sendo capaz de explicar os conceitos e processos da gestão de custos e os impactos das decisões de preço sobre o resultado do negócios.

Embora o objetivo dos setores e gestores financeiros seja apoiar diversas áreas em decisões estratégicas, um dos maiores desafios do setor de finanças é conduzir análises que conjulguem conhecimento do negócio, estatística, métodos de soluções de problema e finanças.

Aqui não estamos falando que um profissional de finanças precisa dominar todos esses conhecimentos para conseguir atuar como um bussines partner e sim da importância de se desenvolver equipes multidisciplinares, que agreguem as diferentes visões necessárias para gerar dados e informações que realmente gerem valor para  a empresa.

 

  1. Desenvolvimento de habilidades de relacionamento e interação

O último ponto chave para o setor financeiro e o gestor serem influentes no processo decisório da organização é  desenvolver a capacidade de se relacionar e interagir com os diferentes setores e stakeholders.

Nesse contexto torna-se crucial o desenvolvimento de soft skills, como gestão de pessoas, gestão de conflitos, negociação e relacionamento interpessoal. Saber comunicar os problemas identificados e as recomendações de melhoria de forma clara e transparente, bem como atuar como facilitador das discussões sobre o negócio são essenciais para atuar como um business partner.

Nesse cenário, o processo de solução de problemas envolve o desenvolvimento de novas abordagens, mais consultivas e criativas, que garantam um processo de construção mais interativo e empático, colocando as pessoas no centro do desenvolvimento, usando ferramentas diversas como a de Design Thinking. Assim, o desenvolvimento de habilidades para facilitação de workshops de ideação e cocriação também devem estar no horizonte de desenvolvimento dos profissionais financeiros.

Considerando uma instituição de ensino como exemplo, numa abordagem mais interativa, para se conseguir melhorias dos processos financeiros de faturamento, contas a receber e cobrança, a equipe financeira deve envolver outras áreas, como o setor acadêmico, atendimento ao aluno, setor de comunicação e de tecnologia da informação, para entender a jornada do aluno em todo o processo de matrícula e rematrícula, identificando melhorias nos processos da atividade fim que irão impactar os processos internos do finaneiro.. Essa interlocução entre as áreas possibilitará a construção de uma melhor experiência para todos os envolvidos nos processos, elevando os níveis de controle da organização.

Na abordagem acima o setor financeiro deixa de ter uma postura passiva e burocrática, para exercer uma atuação mais proativa e criativa, que gera muito mais valor para a empresa como um todo.

É evidente que o nível de sinergia que se espera de uma relação de parceria entre o setor financeiro, os demais setores da organização e da alta gestão irá depender do porte da empresa, da maturidade da gestão e, em alguns casos, do próprio tipo do negócio.

Para tornar possível o papel estratégico do gestor financeiro como um verdadeiro business partner do negócio, surge a necessidade da alta gestão valorizar e chancelar o setor financeiro. Ele precisa estar envolvido no planejamento estratégico da empresa e ter empoderamento da sua equipe para fornecer apoio às demais áreas.

Tentamos evidenciar nesse artigo a importância dos setores e gestores financeiros serem mais estratégicos  para negócio, atuando como business partners e os principais focos que ele deve dar para exercer esse papel.

Para auxiliar os gestores e os setores financeiros nesse objetivo, a Moore possui uma solução que engloba expertise multidisciplinar, tecnologia e metodologia de planejamento e análise que permitam ampliar o impacto do setor financeiro sobre o processo de tomada de decisão e, ainda, com baixo custo.

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Renata Falk

Renata Falk

Consultora da Moore Belo Horizonte
rfalk@moorebrasil.com.br